| O aumento dos preços ocorreu em decorrência do conflito em curso no Oriente Médio |
O preço do óleo de aquecimento doméstico chegou a 880 euros por um tanque de 500 litros, refletindo a forte valorização do petróleo no mercado internacional. Antes do recente agravamento das tensões no Oriente Médio, o mesmo volume custava menos de 500 euros.
O aumento também se estende aos combustíveis nos postos de abastecimento. Em algumas regiões, o litro da gasolina já alcança 1,90 euro, enquanto o diesel chega a 2,08 euros.
Esse cenário ocorre em meio à queda dos principais mercados de ações globais e à disparada nos preços da energia, impulsionada por interrupções no fornecimento vindas do Oriente Médio.
Petróleo ultrapassa US$ 100 após escalada do conflito
O preço do petróleo superou os 100 dólares por barril pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A alta ocorreu depois que o Irã reagiu a ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel, mirando instalações ligadas à produção de petróleo em países do Golfo.
Durante as negociações na Ásia, os contratos do Brent (referência internacional do preço do petróleo, baseada na produção do Mar do Norte) e do WTI (West Texas Intermediate, principal referência do petróleo negociado nos Estados Unidos) chegaram a subir cerca de 30%. Posteriormente, reduziram parte dos ganhos e voltaram a ficar abaixo da marca de 100 dólares por barril.
Mesmo assim, o movimento foi intenso. Após a invasão da Ucrânia, em 2022, o petróleo chegou a atingir 130,50 dólares por barril.
Segundo analistas, a tensão geopolítica continua alimentando a volatilidade nos mercados de energia.
Chris Beauchamp, analista-chefe da plataforma de investimentos IG, afirmou que o pânico inicial diminuiu momentaneamente, mas as razões que levaram à disparada dos preços continuam presentes.
De acordo com ele, a ameaça a infraestruturas petrolíferas em toda a região cria uma base para que os preços permaneçam elevados no curto prazo.
Impacto nos mercados financeiros e risco de inflação
A alta do petróleo provocou forte queda nas bolsas asiáticas. Na Europa e em Wall Street (mercado financeiro dos Estados Unidos), as perdas foram parcialmente reduzidas depois que os preços da commodity (petróleo) recuaram um pouco.
Mesmo assim, investidores continuam atentos ao risco de um novo ciclo de inflação global, provocado pelo aumento dos custos de energia.
Lee Hardman, analista do grupo financeiro Mitsubishi UFJ, alerta que o avanço acelerado do petróleo eleva significativamente o risco de estagflação na economia mundial.
A estagflação ocorre quando a inflação permanece elevada ao mesmo tempo em que a economia cresce pouco ou entra em estagnação. Nesse cenário, bancos centrais tendem a manter ou elevar as taxas de juros, o que dificulta ainda mais a recuperação econômica.
Nos Estados Unidos, analistas já revisam suas expectativas para a política monetária. Agora, o mercado espera apenas um corte nas taxas de juros do Federal Reserve (o banco central dos EUA, responsável por definir a política monetária e controlar a oferta de dinheiro) neste ano. Na semana passada, a previsão era de dois cortes.
No caso do Banco Central Europeu, cresce a expectativa de que os juros possam subir para conter a pressão inflacionária.
Estreito de Ormuz amplia preocupação com oferta de petróleo
Grande parte das preocupações está ligada ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
Cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente passa por essa região estratégica. Os ataques retaliatórios do Irã praticamente interromperam o tráfego marítimo na área, o que elevou ainda mais a tensão nos mercados.
A redução da atividade de navegação já afeta principalmente os compradores asiáticos, que dependem fortemente do petróleo do Oriente Médio.
Segundo Vasu Menon, diretor de estratégia de investimentos do OCBC (Oversea-Chinese Banking Corporation, um dos maiores bancos de Cingapura com atuação internacional) em Singapura, os preços podem continuar pressionados caso o fluxo de petróleo na região não seja restabelecido rapidamente.
Produção de petróleo cai em países do Golfo
Além das tensões militares, vários países produtores começaram a reduzir a produção de petróleo.
No Iraque, a produção em grandes campos no sul caiu cerca de 70%, chegando a aproximadamente 1,3 milhão de barris por dia. As exportações foram afetadas pela dificuldade de transporte devido ao conflito com o Irã.
O Kuwait também iniciou cortes na produção e declarou força maior nos embarques de petróleo. Já a estatal saudita Saudi Aramco reduziu a produção em alguns campos e ofereceu milhões de barris adicionais em licitações para compensar os impactos do bloqueio marítimo.
No mercado de gás natural, o Catar interrompeu parte da produção após ataques a infraestruturas estratégicas.
Além disso, um incêndio foi registrado na zona industrial petrolífera de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, causado pela queda de detritos. Não houve registro de feridos.
Energia mais cara pressiona economia europeia
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia vem tentando diversificar suas fontes de energia. Mesmo assim, diversos países do bloco ainda dependem do petróleo bruto e do gás natural liquefeito provenientes do Golfo.
O aumento dos preços da energia já era considerado um obstáculo à competitividade da economia europeia. Com a nova crise no Oriente Médio, a situação se torna ainda mais delicada.
Analistas apontam que, caso as tensões se prolonguem e a oferta global continue restrita, o petróleo pode atingir níveis ainda mais elevados nos próximos meses.
Possibilidade de novos aumentos no preço do petróleo
Especialistas também observam fatores políticos que podem influenciar o mercado. A nomeação de Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã reforça a percepção de continuidade da linha política mais rígida em Teerã(capital e maior cidade do Irã).
Segundo Satoru Yoshida, analista da Rakuten Securities (empresa japonesa de serviços financeiros e corretagem de investimentos), esse cenário reduz as chances de mudanças rápidas na política externa iraniana e aumenta a possibilidade de novos episódios de tensão na região.
Ele afirma que, se o Estreito de Ormuz continuar fechado ou sob ameaça, o preço do petróleo pode subir para 120 dólares ou até 130 dólares por barril em um período relativamente curto.
Fonte: RTE
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