A polícia irlandesa(Garda Síochána), confirmou no domingo que 63 cidadãos sul-africanos foram deportados após uma operação conduzida pelo Departamento de Imigração. Entre eles estavam 28 homens adultos, 26 mulheres e nove menores, todos pertencentes a grupos familiares.
O voo fretado partiu de Dublin na tarde de sábado com destino à África do Sul, onde chegou no domingo. Segundo as autoridades, dez das pessoas removidas tinham condenações criminais na Irlanda.
Operação de deportação na Irlanda atinge famílias
A ação mobilizou equipes em Dublin e incluiu pessoas que aguardavam decisão definitiva sobre sua permanência no país. Pelo menos uma família que vivia há anos em Cork estava entre os deportados.
Testemunhas relataram momentos de tensão e desespero. Uma mulher que presenciou a detenção contou que viu mães chorando enquanto eram conduzidas pela polícia. Ela descreveu o ambiente como assustador, marcado pela incerteza e pelo medo constante de ser a próxima a receber uma ordem de saída.
Parte das famílias vivia na província de Munster e estava alojada em centros de acolhimento para requerentes de asilo. Antes da operação, algumas foram transferidas para um hotel em Dublin, onde aguardavam o desfecho do processo migratório.
Caso da família Breetzke
Entre os casos que ganharam repercussão está o da família Breetzke, que já havia tornado pública sua situação. O pedido de asilo foi negado pelas autoridades irlandesas.
O pai e o filho chegaram a ser detidos no mês anterior e ficaram sob custódia na prisão de Cloverhill Prison, localizada na zona oeste de Dublin. Segundo relatos, enfrentaram condições de superlotação.
A família afirma ter deixado a África do Sul após ataques de gangues à fazenda onde viviam, nos arredores de Joanesburgo. Durante o período em que estiveram fora, a propriedade teria sido saqueada. Eles dizem temer o retorno e não sabem onde irão se estabelecer ao chegar ao país de origem.
Protestos e apelos ao Departamento de Justiça
Outro caso citado é o da família Oyekanmi. Em fevereiro, manifestantes se reuniram diante do Departamento de Justiça para pedir a suspensão da ordem de deportação. A mobilização não alterou a decisão oficial.
Titilayo Oluwakemi Oyekanmi e seus três filhos, com idades entre cinco e 18 anos, frequentavam escolas locais em Dublin. Os jovens participavam de clubes esportivos e eram considerados atletas promissores pela comunidade.
Apesar dos apelos, a ordem de deportação foi mantida.
Governo defende reforço na fiscalização migratória
O ministro da Justiça, Jim O'Callaghan, afirmou que esta é a segunda operação de deportação realizada neste ano. Segundo ele, voos fretados se tornaram parte essencial da política de fiscalização migratória.
De acordo com dados oficiais, em 2025 foram assinadas 4.700 ordens de deportação, um aumento expressivo em relação ao ano anterior. Seis operações aéreas removeram 205 pessoas do território irlandês, sendo a maioria para destinos fora da União Europeia.
O Departamento de Justiça destacou que uma ordem de deportação é uma determinação legal que obriga o indivíduo a deixar o Estado. O descumprimento pode resultar em prisão sem mandado, caso haja abordagem policial. A ordem permanece registrada de forma permanente, salvo se for revogada, o que impede o retorno futuro ao país.
Política migratória da Irlanda em debate
O tema da deportação de sul-africanos na Irlanda reacende o debate sobre política migratória, direitos dos requerentes de asilo e segurança pública. Para o governo, a aplicação rigorosa das regras é fundamental para manter a confiança da população no sistema de imigração. Para famílias afetadas, o retorno representa incerteza e, em alguns casos, medo.
O episódio evidencia a complexidade do cenário migratório europeu em 2025, especialmente diante do aumento no número de ordens de deportação e da intensificação das operações de fiscalização.
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