Irlandês detido em um centro de detenção do ICE diz temer por sua vida e pede ajuda à Irlanda

Irlandês detido em um centro de detenção do ICE diz temer por sua vida e pede ajuda à Irlanda

Metrovoz
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Foto em preto e branco de Culleton e Smyth sentados juntos em uma escadaria. Smyth está atrás dele, com os braços ao redor dele.
Seamus Culleton com sua esposa americana, Tiffany Smyth. Fotografia: Irish Times

Um irlandês que está detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA(ICE) há cinco meses, apesar de possuir uma autorização de trabalho válida e não ter antecedentes criminais, afirma temer por sua vida e pediu ajuda ao governo da Irlanda.

Seamus Culleton disse que as condições em seu centro de detenção no Texas eram semelhantes à "tortura" e que o ambiente era instável. "Não tenho medo dos outros presos. Tenho medo dos funcionários. Eles são capazes de tudo."

Falando das instalações de El Paso à rádio RTÉ da Irlanda , Seamus implorou ao Primeiro-Ministro, Micheál Martin, que levasse seu caso a Donald Trump quando este visitasse a Casa Branca no próximo mês para as comemorações do Dia de São Patrício(chamado de st patrick's day em inglês, e é comemorado dia 17 de março)

“Por favor, tentem me tirar daqui e façam tudo o que puderem. É uma tortura absoluta, tortura psicológica e física”, disse Seamus, acrescentando que não sabia quanto mais conseguiria suportar. “É um lugar horrível, horrível, horrível.”

Natural do condado de Kilkenny, Seamus, de 42 anos, é dono de uma empresa de gesso na região de Boston . Após comprar materiais em uma loja de ferragens em 9 de setembro de 2025, ele foi seguido por agentes do ICE e preso.

Ele entrou nos EUA em 2009 por meio de um programa de isenção de visto e ultrapassou o limite de 90 dias, mas depois de se casar com uma cidadã americana, Tiffany Smyth, e solicitar residência permanente legal, obteve uma isenção estatutária(uma exceção criada pela própria lei que permite que ele regularize o status apesar de ter ultrapassado o visto, por ser casado com uma cidadã americana) que lhe permitiu trabalhar, de acordo com a advogada, Ogor WinnieOkoye .

A detenção o impediu de comparecer à entrevista final em outubro para o seu green card, que teria confirmado seu status legal, disse Okoye. "É inexplicável que esse homem esteja detido."

A esposa de dele, que mora em Massachusetts , e sua família, que vive na Irlanda, tornaram pública sua história esta semana na esperança de angariar apoio para sua libertação.

Seamus contou à RTÉ que ficou trancado na mesma cela com outros 71 detentos em condições deploráveis, com comida insuficiente e pouco tempo ao ar livre para tomar ar fresco, sol ou fazer exercício.

“Você não sabe o que vai acontecer no dia a dia. Você não sabe se vai haver tumultos, você não sabe o que vai acontecer. É um pesadelo aqui.” Os chuveiros e banheiros estavam “imundos” e as refeições diárias eram do tamanho de uma criança, disse ele. “Então todo mundo está com fome.”

Ele disse que estava tentando se manter positivo. "Eu me esforço ao máximo. Falo com minha esposa todos os dias, ela é meu porto seguro. Falo com minha mãe e minha irmã quase todos os dias. Elas estão todas torcendo por mim."

Seamus apelou às autoridades irlandesas para que interviessem. “Minha própria família na Irlanda também está sofrendo, minha mãe especialmente, ela está com o coração partido. Por favor, façam tudo o que puderem para me tirar daqui. Eu só quero voltar à minha vida, estávamos ansiosos para formar uma família.” Ele pediu ao Primeiro-Ministro da Irlanda que levasse seu caso a Trump na Casa Branca no próximo mês. “Aceitarei qualquer ajuda que puder receber agora.”

O Ministério das Relações Exteriores e Comércio da Irlanda afirmou estar prestando assistência consular por meio do consulado irlandês em Austin, Texas, e que a embaixada em Washington está em contato com o Departamento de Segurança Interna dos EUA em um "nível sênior".

Em declarações à imprensa a caminho de uma reunião de gabinete, o Primeiro-Ministro irlandês afirmou esperar que Seamus fosse libertado e expressou preocupação com as condições de sua detenção. Martin não disse se iria abordar o caso com Trump.

O caso pode complicar os esforços de Dublin para evitar provocar a Casa Branca, que tem criticado duramente a Irlanda pelo seu histórico em matéria de impostos sobre empresas, comércio e imigração. Alguns partidos da oposição encorajaram o Primeiro-Ministro irlandês a boicotar o presidente dos EUA em protesto contra as suas políticas internas e externas.

A advogada dele disse que as autoridades americanas estavam ameaçando deportá-lo "a qualquer momento" e que o quinto tribunal de apelações do Texas, responsável pelo caso, era o tribunal "menos favorável aos imigrantes". "Não há razão para que o governo não o liberte e permita que ele compareça à entrevista [para o green card] que confirmará seu status legal", disse Okoye.

Dados divulgados na segunda-feira mostraram que menos de 14% dos quase 400 mil imigrantes presos pelo ICE no primeiro ano do segundo mandato de Trump tinham acusações ou condenações por crimes violentos, o que contradiz a alegação do governo de estar visando "apenas os criminosos".

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