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| Muitas pessoas nadaram de Marrocos até Ceuta, enquanto outras teriam escalado a cerca da fronteira. Foto: Reduan Dris/EPA |
A cidade espanhola de Ceuta, localizada no norte da África, voltou a ser palco de uma intensa crise migratória. Em poucas horas, milhares de migrantes chegaram ao enclave espanhol vindos do Marrocos, atravessando a fronteira pelo mar ou contornando os quebra-mares da praia de Tarajal. Diante da situação, as autoridades locais pediram reforço imediato ao governo da Espanha e cobraram medidas para conter a entrada em massa.
Crise migratória em Ceuta mobiliza autoridades espanholas
Imagens registradas na praia de Tarajal mostram centenas de pessoas caminhando pela água, contornando os quebra-mares e seguindo em direção às ruas de Ceuta. A maioria era formada por homens jovens, embora também houvesse famílias com mulheres e crianças. Alguns comemoravam a chegada ao território espanhol gritando palavras de apoio ao país.
A Guarda Civil, responsável pela segurança das fronteiras, confirmou que a entrada ocorreu em grande escala pelo trecho marítimo da fronteira, mas informou que ainda não era possível contabilizar o número exato de pessoas que conseguiram cruzar.
Segundo a emissora pública TVE, entre 2 mil e 3 mil migrantes chegaram ao enclave. Já a agência estatal EFE informou que parte deles também conseguiu entrar escalando a cerca que separa Ceuta do território marroquino.
Presidente de Ceuta pede estado de emergência
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, classificou a situação como extremamente preocupante e solicitou ao governo de Madri a declaração de estado de emergência nacional, além do envio de policiais e militares para reforçar a segurança da fronteira.
Dias antes, Vivas já havia alertado que os centros de acolhimento estavam operando acima da capacidade e que centenas de migrantes permaneciam dormindo nas ruas por falta de espaço.
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| presidente de Ceuta pediu ao governo espanhol que declare estado de emergência nacional. Foto: Obtida pela Reuters/Reuters |
Segundo ele, Ceuta necessita de mais recursos financeiros, infraestrutura adequada, regras específicas para enfrentar esse tipo de situação e maior coordenação entre os diferentes níveis da administração pública.
O presidente do enclave afirmou que o objetivo não é obter privilégios, mas garantir uma resposta compatível com a realidade enfrentada pela cidade.
Governo espanhol descarta estado de emergência
Apesar da gravidade do cenário, o governo da Espanha informou que a legislação não permite decretar estado de emergência nacional por causa de uma crise migratória.
Segundo Madri, esse mecanismo é reservado para situações excepcionais, como incêndios florestais de grandes proporções, fenômenos climáticos extremos ou ameaças de origem vulcânica e nuclear.
Ainda assim, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, viajou com urgência para Ceuta a fim de acompanhar a operação e coordenar as ações do governo.
Pedro Sánchez promete resposta rápida
O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que o governo espanhol está mobilizando todos os recursos disponíveis para enfrentar a crise na fronteira entre Espanha e Marrocos.
Segundo ele, as autoridades trabalham em conjunto com o governo marroquino e organismos internacionais para restabelecer a normalidade o mais rapidamente possível.
Sánchez também destacou que este é o momento de buscar soluções baseadas na cooperação e na responsabilidade entre os dois países.
Decisão da Justiça pode ter influenciado aumento das chegadas
Neste mês, o Supremo Tribunal da Espanha decidiu que migrantes interceptados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou a Melilla não podem mais ser devolvidos imediatamente com base no regime especial de rejeição fronteiriça aplicado nesses territórios.
Para um porta-voz da Guarda Civil, o fluxo de migrantes vinha aumentando gradualmente desde a decisão judicial, mas a movimentação registrada agora representa um salto sem precedentes.
Oposição critica atuação do governo
O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que a situação representa uma grave crise de segurança nacional e cobrou uma resposta mais firme do governo espanhol.
Já Santiago Abascal, presidente do partido Vox, classificou a chegada dos migrantes como uma invasão e acusou o governo de Pedro Sánchez de favorecer a permanência dessas pessoas no país, declaração que não foi acompanhada de provas.
Marrocos aponta ação de grupos criminosos
Fontes do governo marroquino atribuíram o aumento das travessias à atuação de organizações criminosas envolvidas com a migração irregular. Ao mesmo tempo, Rabat ressaltou que a cooperação com a Espanha permanece sólida e eficiente.
Ceuta volta ao centro da crise migratória na Europa
A atual crise lembra os acontecimentos de maio de 2021, quando mais de 8 mil migrantes chegaram a Ceuta em apenas dois dias. Na ocasião, o episódio ocorreu durante um período de forte tensão diplomática entre Espanha e Marrocos, após Madri autorizar o tratamento médico de um líder independentista do Saara Ocidental.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre direta com a África. Por essa razão, as duas cidades permanecem entre as principais portas de entrada para migrantes que tentam alcançar o continente europeu, tornando-se pontos frequentes de pressão migratória e desafios para as políticas de controle de fronteiras.
Fonte: theguardian
Jornalista e Criador de Conteúdo
Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.





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