Servidores públicos da Irlanda aprovam possível greve

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Milhares de trabalhadores do serviço público da Irlanda deram um forte respaldo à possibilidade de novas ações trabalhistas em meio ao impasse nas negociações salariais com o governo.


Em votação realizada entre os integrantes da Fórsa(sindicato que representa servidores públicos e trabalhadores do setor público na Irlanda), 96% dos membros votaram a favor de ações trabalhistas, incluindo a possibilidade de uma greve em larga escala. O resultado foi divulgado pelo sindicato nesta tarde e amplia a pressão sobre o governo para que apresente uma nova proposta salarial.


Maioria expressiva apoia ações trabalhistas

O secretário-geral da Fórsa, Kevin Callinan, afirmou que o resultado representa, provavelmente, a maior votação sobre greve já realizada na Irlanda.


Segundo ele, 72% dos mais de 80 mil membros que participaram da votação compareceram às urnas. Callinan também destacou que o sindicato pretende manter contato com outras entidades do setor público filiadas ao Congresso Irlandês de Sindicatos, ICTU(principal central sindical da Irlanda, que reúne diferentes sindicatos do país), para avaliar possíveis ações conjuntas.


A intenção é coordenar os próximos passos com outros sindicatos que também estão realizando consultas entre seus integrantes.


O resultado da Fórsa ocorre poucos dias depois de uma votação do SIPTU(sindicato que representa cerca de 75 mil trabalhadores do setor público e de outras áreas na Irlanda). Na segunda-feira, 97% dos membros da entidade aprovaram a realização de uma greve, enquanto 98% deram apoio a outras formas de mobilização trabalhista.


Ao todo, 19 sindicatos do serviço público estão realizando votações semelhantes. As consultas começaram depois que as primeiras negociações para um novo acordo salarial com o governo terminaram sem avanço em junho.


Sindicatos cobram nova proposta salarial

Os representantes sindicais negam que estejam fechados ao diálogo.Callinan afirmou que não corresponde à realidade dizer que as entidades não querem negociar e indicou que uma eventual greve provavelmente só começaria no fim deste mês.


A principal reivindicação é que o governo apresente uma proposta salarial considerada mais adequada pelos trabalhadores.


O acordo anterior terminou no fim de junho. Durante sua vigência, os servidores públicos receberam aumentos que somaram 10,25% ao longo de dois anos e meio. Desde o período da recessão, sucessivos acordos vêm sendo utilizados para definir as condições salariais dos funcionários públicos irlandeses.


O vice-secretário-geral do SIPTU, Adrian Kane, afirmou que a entidade deverá discutir com outros sindicatos quais medidas serão adotadas para pressionar o governo a retomar negociações consideradas efetivas.


Segundo Kane, os sindicatos estão preparados para negociar um novo acordo há meses, mas, na avaliação dele, o governo não apresentou disposição suficiente para avançar.


Ele também afirmou que existe forte insatisfação entre os cerca de 75 mil integrantes do sindicato no serviço público.


Pressão aumenta sobre o Governo irlandês


Para os sindicatos, a questão salarial está diretamente ligada ao aumento do custo de vida e às dificuldades enfrentadas pelos serviços públicos.


Kane argumentou que os salários dos trabalhadores vêm perdendo poder de compra, enquanto setores públicos que já enfrentam sobrecarga continuam sob pressão.


Na semana passada, representantes do Unite(sindicato que representa trabalhadores de diferentes setores na Irlanda) também advertiram para a possibilidade de greves durante o inverno caso não seja apresentada uma proposta salarial considerada significativa.

A entidade que representa os agentes penitenciários da Irlanda(POA) informou que 99% de seus membros são favoráveis à realização de greves e outras formas de paralisação. O grupo afirma que essas medidas poderão ser suspensas caso o governo apresente uma proposta clara e confiável para garantir a valorização dos salários e acompanhar o aumento do custo de vida.


Os dirigentes do comitê de serviços públicos do ICTU também afirmaram que, no momento, não existe uma base considerada viável para iniciar negociações formais com as autoridades.


Inflação é um dos pontos centrais

Embora os sindicatos ainda não tenham apresentado uma reivindicação salarial específica, eles argumentam que a inflação chegou a 3,6% em maio.


Na avaliação das entidades, esse aumento reduziu o impacto de duas parcelas de reajuste, que somaram 2% e foram pagas neste ano dentro do acordo anterior.


O cenário aumenta a pressão para que um novo acordo seja negociado antes que possíveis medidas de paralisação sejam colocadas em prática.


Governo diz que novo acordo precisa ser sustentável


O ministro responsável pelos gastos públicos na Irlanda, Jack Chambers, afirmou que o Governo não pretende fechar um novo acordo salarial a qualquer custo.


Segundo o ministro, qualquer entendimento precisa ser financeiramente sustentável e compatível tanto com a capacidade de pagamento dos contribuintes quanto com as necessidades dos servidores públicos.


Em comunicado, um porta-voz do Departamento de Despesas Públicas afirmou que o governo continua disposto a dialogar com o ICTU e outras organizações representativas sobre as questões relacionadas ao serviço público.


O governo também lamentou que não tenha sido possível alcançar um novo acordo nas últimas semanas e defendeu a retomada das conversas após o encerramento das votações sindicais.


A expectativa agora é que representantes dos sindicatos e do governo voltem à mesa de negociação. Para as autoridades, avanços dependerão de uma disposição de ambas as partes para manter um diálogo contínuo e construtivo, sem condições prévias.


Enquanto isso, os resultados das votações aumentam a possibilidade de uma mobilização coordenada no serviço público irlandês caso não haja avanço nas negociações salariais.

Lucas Costa
Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

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