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Número de mulheres sem-teto atinge níveis sem precedentes em Limerick, alertam especialistas

Mulher em situação de rua segurando placa com a palavra “Help”, encostada em parede, com cobertor e copo descartável no chão.
Representantes de diversos grupos de apoio a dependentes químicos disseram ao Comitê Conjunto sobre o Uso de Drogas que há uma necessidade urgente de aumentar os serviços voltados especificamente para mulheres vulneráveis.

O número de mulheres em situação de rua e com dependência de drogas está em crescimento em Limerick. Dados apresentados a uma comissão do Oireachtas, o parlamento nacional da Irlanda, indicam que, recentemente, a cidade passou a registrar mais mulheres do que homens vivendo nessa condição.

Representantes de diversos grupos de apoio a dependentes químicos disseram ao Comitê Conjunto sobre o Uso de Drogas(Comitê parlamentar que analisa políticas de drogas na Irlanda, ouve especialistas e cidadãos e faz recomendações ao parlamento sobre prevenção, saúde pública e legislação) que há uma necessidade urgente de aumentar os serviços voltados especificamente para mulheres vulneráveis.

Organizações de apoio destacam a urgência do problema

Jennifer Doyle, da organização beneficente Novas(Organização de caridade na Irlanda que apoia pessoas sem-teto e em situação de vulnerabilidade, oferecendo abrigo, habitação e serviços de assistência social), que apoia pessoas sem-teto e dependentes químicos, afirmou que o número de mulheres sem-teto e com dependência química está aumentando “tanto em números absolutos quanto em participação relativa dentro da população em situação de rua.”


Ela citou dados recentes da Equipe de Ação para Pessoas Sem-Teto de Limerick, que mostram, pela primeira vez, um número maior de mulheres do que de homens dormindo nas ruas da cidade. "Isso é inédito", disse Doyle à comissão.


O aumento no consumo de crack está impulsionando o crescimento do número de mulheres sem-teto e afetando a capacidade dessas mulheres de acessar serviços de recuperação, segundo informações apresentadas à comissão.


“A rapidez e a intensidade do vício, os riscos associados de exploração e a rápida deterioração da saúde física e mental exigem uma resposta personalizada e que leve em consideração a perspectiva de gênero.”


O vício está levando as mulheres a se envolverem em comportamentos extremamente arriscados, "incluindo sexo para sobreviver, dormir na rua e relacionamentos pessoais violentos", disse Doyle.


O comitê também ouviu o depoimento de Nikki Hayes, ex-DJ da RTÉ, que lutou contra o alcoolismo e a falta de moradia antes de entrar em recuperação.


“As mulheres com dependência química muitas vezes são invisíveis até que entrem em crise. Somos mães. Somos profissionais”, disse Hayes. “Somos cuidadoras. Somos filhas. Escondemos bem, até que não conseguimos mais. E quando caímos, caímos rápido.”


Hayes descreveu ter tomado sua primeira bebida alcoólica aos 11 anos e ter passado anos como uma alcoólatra funcional. "Quando a Covid chegou, o frágil fio que mantinha minha vida funcional em pé se rompeu", disse Hayes. Sua filha foi morar com o pai e ela perdeu o emprego antes de ficar sem-teto.

“Eu não tinha nenhuma habilidade para me virar nas ruas. Não fazia ideia de como sobreviver sem-teto. Estava em choque. Outras pessoas em situação de rua me ensinaram onde tomar banho, onde comer, onde usar o banheiro. Isso se tornou minha rotina diária: sobreviver.”


Ela disse que reconstruiu sua vida com a ajuda de serviços que “a viram como um ser humano, não como uma manchete de jornal”.


“A recuperação é possível. Estou aqui como prova disso. Mas não me recuperei sozinha.”

Anita Harris, vice-diretora de serviços da Coolmine Therapeutic Community(organização irlandesa que oferece programas de tratamento e reabilitação para pessoas com dependência química, incluindo serviços especializados para mulheres e apoio à reintegração social), afirmou que 42% das 3.282 pessoas atendidas pela organização no ano passado eram mulheres, um número recorde.


Os serviços da Coolmine voltados para o público feminino operam consistentemente com capacidade máxima e "a demanda continua a exceder em muito a disponibilidade", disse Harris.


“Existe uma lista de espera contínua de mulheres, incluindo gestantes e mães com filhos pequenos.”

Necessidade de financiamento e serviços especializados

Os profissionais da área de dependência química pediram ao comitê que priorizasse o financiamento de serviços específicos para mulheres com dependência química e serviços relacionados, incluindo serviços de assistência infantil, para permitir que as mulheres mantenham um relacionamento com seus filhos.


“As mulheres não devem ser obrigadas a depender de intervenções mínimas ou de disponibilidade limitada de serviços”, disse Harris.




Fonte: Irish times 

Lucas Costa
Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

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