A desigualdade econômica está piorando na Irlanda do Norte, segundo relatório

A desigualdade econômica está piorando na Irlanda do Norte, segundo relatório

Metrovoz
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A desigualdade econômica na Irlanda do Norte vem se intensificando, de acordo com um relatório recente do Centro de Política Econômica da Universidade de Ulster. O estudo mostra que Belfast ampliou de forma significativa sua vantagem econômica em relação ao restante do território, sobretudo nas áreas localizadas a oeste do rio Bann(o rio mais longo da Irlanda do Norte).

Belfast concentra riqueza e amplia distância regional

Segundo o relatório, a economia da Irlanda do Norte apresenta diferenças regionais profundas e duradouras quando se analisa a Gestão de Valor Agregado (GVA), indicador que reúne salários, aluguéis, impostos e lucros, descontados os custos de produção. Ao longo dos anos, essa diferença não apenas se manteve, como aumentou de maneira expressiva.

Em 1998, o GVA de Belfast era 42% superior à média da Irlanda do Norte. Atualmente, esse índice chega a cerca de 80%, o que reforça a concentração da atividade econômica na capital.

Orçamento limitado dificulta reação do governo

A situação tende a se agravar diante da crise de financiamento enfrentada pelo governo de Stormont. As despesas correntes previstas para os anos de 2026 e 2027 devem crescer apenas 0,8%, com um acréscimo de 2% nos 12 meses seguintes. Esses percentuais são considerados insuficientes para promover mudanças estruturais.

Os Ministérios da Saúde e da Educação já alertaram que os aumentos orçamentários, bem inferiores aos atualmente praticados na República da Irlanda, devem gerar dificuldades adicionais para a manutenção dos serviços públicos.

Renda média revela contraste entre regiões

Os números ajudam a dimensionar o cenário. Em Belfast, o GVA médio per capita fica pouco abaixo de 55 mil libras por pessoa ao ano. Em Ards e North Down, o valor anual não chega a 20 mil libras. Já em Mid e East Antrim, a média é inferior a 25 mil libras, mostrando um contraste acentuado no nível de renda e produtividade.

Apesar disso, as taxas de emprego nas 11 autoridades locais da Irlanda do Norte permanecem praticamente estáveis. O relatório destaca que moradores de áreas com menor renda continuam encontrando dificuldades para acessar oportunidades, mesmo em um contexto de crescimento do emprego no conjunto da economia.

Emprego estagnado em áreas mais vulneráveis

Esse cenário é mais evidente em distritos com histórico de taxas de emprego mais baixas, como Derry City e Strabane, mas também aparece em algumas partes de Belfast. Isso ocorre mesmo com a capital liderando o ranking geral de GVA, o que indica que o crescimento econômico não tem sido distribuído de forma equilibrada.

O Centro de Política Econômica da Universidade de Ulster afirma que o crescimento sustentável no longo prazo depende do aumento da produtividade e de decisões políticas direcionadas do governo da Irlanda do Norte para enfrentar os desequilíbrios regionais.

Caminhos para o crescimento e desafios futuros

As estratégias atuais de política econômica adotam uma abordagem focada nas pessoas e nos territórios, combinando projetos de regeneração urbana, investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e incentivos às empresas. Há dois anos, o Departamento de Economia de Stormont lançou o relatório Visão Econômica, que colocou a descentralização como eixo central da proposta de desenvolvimento regional.

Ainda assim, o estudo ressalta que esse processo exige liderança consistente e ações contínuas ao longo de muitos anos. Segundo a universidade, problemas acumulados por décadas não serão resolvidos em curto prazo.

As projeções indicam um crescimento modesto do emprego, em torno de 0,5% neste ano, com perspectiva de fortalecimento gradual no futuro. No entanto, decisões tomadas agora, especialmente relacionadas à produtividade, serão decisivas para o desempenho econômico da região.

O diretor da UUEPC, Gareth Hetherington, afirmou que os dados refletem a baixa confiança de empresários e consumidores, somada à instabilidade geopolítica global. Embora 2025 tenha começado de forma positiva, houve retrações posteriores que afetaram o emprego. Para 2026, os primeiros sinais apontam para algum avanço, ainda que limitado.

O relatório também destaca a mudança no perfil da economia da Irlanda do Norte, cada vez mais concentrada no setor de serviços, enquanto a indústria perde espaço. Esse movimento tem levado trabalhadores a migrarem de empregos industriais, geralmente mais bem remunerados e produtivos, para vagas no setor de serviços, que costumam oferecer salários mais baixos.

Entendendo o conceito de GVA

A Gestão De Valor Agregado (GVA) é o valor que um produtor cria ao transformar bens e serviços comprados em um novo produto. De forma simples, ele representa quanto o produtor ganha a mais depois de pagar os custos necessários para produzir e vender seu produto.

Por exemplo, um produtor de cerveja compra cevada, lúpulo e levedura e usa esses ingredientes para fabricar cerveja. Essa cerveja é vendida por um valor maior do que o gasto com os ingredientes e com outras despesas, como energia e manutenção da fábrica. A diferença entre o valor da venda e todos esses custos é chamada de Valor Adicionado Bruto.




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