Médico é condenado por estupro na Irlanda

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O homem de 46 anos se declarou culpado das acusações de agressão com lesão corporal, mas negou duas acusações de estupro e uma de controle coercitivo.

Um médico de 46 anos foi condenado a 10 anos de prisão, na Irlanda, após ser considerado culpado por estupro, controle coercitivo e agressões cometidas contra a própria esposa ao longo de cerca de três anos.

 

O julgamento ocorreu no Tribunal Criminal Central de Sligo, onde o réu admitiu apenas as acusações de agressão com lesão corporal. Ele negou os dois crimes de estupro e a acusação de controle coercitivo, mas acabou condenado pelo júri. A sentença também foi proferida em Sligo.


Casamento marcado por abusos e isolamento


Segundo informações apresentadas ao tribunal, o casal se conheceu no Sudão, oficializou a união em 2010 e teve três filhos. Em 2017, a família se mudou para a Irlanda.

 

Enquanto o médico trabalhava em diferentes hospitais regionais, a esposa permaneceu em casa cuidando dos filhos, já que sua formação profissional não era reconhecida no país. As constantes mudanças de cidade, motivadas pelos empregos do marido, também contribuíram para o isolamento da família.

 

Durante o julgamento, a vítima relatou que era frequentemente insultada, impedida de sair sozinha e submetida a controle financeiro. Ela afirmou que o marido passava dias sem dirigir a palavra a ela como forma de punição e dizia que seu único papel era cozinhar e cuidar da casa.

 

De acordo com seu depoimento, esse ambiente de abuso provocou crises de ansiedade, ataques de pânico e uma profunda perda de autoestima.


Relatos de estupro e agressões


As condenações por estupro estão relacionadas a dois episódios ocorridos entre 2018 e 2019.

 

No primeiro, durante o período do Ramadã, a mulher afirmou que estava em jejum quando o marido exigiu manter relações sexuais. Mesmo após a recusa, ela contou que foi empurrada para a cama e violentada.

 

No segundo caso, ela disse que o marido afirmou que precisava "praticar sexo". Diante de uma nova negativa, ele insistiu e voltou a estuprá-la.

 

O tribunal também analisou diversos episódios de violência física. Em um deles, o médico agrediu a esposa utilizando um notebook, alegando que ela havia danificado o equipamento. Em outra ocasião, desferiu um soco na testa da vítima após uma discussão sobre o lixo doméstico.

 

Houve ainda um episódio em que ele mordeu a mão da mulher durante um desentendimento envolvendo dinheiro.


Filhos presenciaram parte da violência


Um dos ataques aconteceu diante dos três filhos do casal. Em outro momento, a vítima procurou uma delegacia para denunciar as agressões, mas o marido a seguiu até o local.

 

Policiais chegaram a conversar com ela, porém, naquele momento, a mulher escondeu os ferimentos e afirmou que voltaria para casa.

 

Posteriormente, o caso foi encaminhado à Tusla, agência irlandesa de proteção à criança e à família, que comunicou os fatos à Garda, a polícia da Irlanda. O médico acabou preso e, inicialmente, negou todas as acusações.


Juiz destacou quebra de confiança


Durante a audiência de sentença, foi apresentado o relato de impacto da vítima. Ela afirmou que fez grandes sacrifícios para manter o casamento e preservar a família, mas que os abusos destruíram sua confiança e sua saúde emocional.

 

Segundo o depoimento, os crimes aconteceram justamente no ambiente onde ela deveria se sentir protegida.

 

O juiz Sean Gillane ressaltou que o médico está suspenso do exercício da profissão desde julho de 2024. Para o magistrado, os crimes ocorreram ao longo de um período prolongado e foram praticados dentro de um contexto de controle coercitivo, violência doméstica e grave quebra de confiança.

 

Inicialmente, a pena foi fixada em 12 anos de prisão. No entanto, o juiz reduziu a condenação para 10 anos ao considerar a carreira profissional do réu e o fato de ele não possuir antecedentes criminais.


Apoio e canais de ajuda


Pessoas afetadas por situações de violência sexual ou abuso podem buscar apoio junto aos serviços especializados na Irlanda.

 

A Linha Nacional de Apoio a Vítimas de Estupro oferece atendimento 24 horas pelo telefone 1800-77 8888. Também é possível acessar opções de mensagens de texto e atendimento online pelo serviço Rape Crisis Help. Em situações de emergência, o contato deve ser feito pelos números 999 ou 112.


Casos relacionados à violência doméstica também podem ser comunicados à Women's Aid, que disponibiliza atendimento gratuito 24 horas pelo telefone 1800-341 900 e pelo e-mail helpline@womensaid.ie. Homens vítimas de violência podem procurar a Men's Aid Ireland, pelo telefone confidencial 01-554 3811 ou pelo e-mail hello@mensaid.ie.


A SafeIreland reúne informações sobre serviços de apoio locais e canais de assistência disponíveis em diferentes regiões do país. Em caso de risco imediato, a recomendação é entrar em contato com os serviços de emergência pelos números 999 ou 112.



Fonte: breakingnews.ie

Lucas Costa
Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

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