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PCC e Comando Vermelho passam a ser tratados como terroristas pelos EUA


PCC CV TERRORISTAS • Ilustração gerada por IA

A partir desta sexta-feira, 5 de junho, entrou oficialmente em vigor a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos. A medida amplia as sanções já anunciadas pelo governo norte-americano no fim de maio, quando as facções foram enquadradas como Terroristas Globais Especialmente Designados.


Segundo o Departamento de Estado dos EUA, as duas organizações criminosas estão entre as mais violentas do Brasil e possuem atividades que ultrapassam as fronteiras nacionais, alcançando também território americano. O objetivo declarado é enfraquecer financeiramente grupos envolvidos com o narcotráfico e outras atividades ilícitas.

O que muda com a nova classificação

As duas categorias adotadas pelos Estados Unidos possuem fundamentos jurídicos diferentes, mas produzem efeitos semelhantes.


A classificação como Terrorista Global Especialmente Designado, válida desde maio, permite o bloqueio de bens e interesses vinculados às facções dentro da jurisdição americana. Já o enquadramento como Organização Terrorista Estrangeira, que passa a valer agora, torna crime federal qualquer forma de apoio material aos grupos.


Na prática, as medidas autorizam o congelamento de ativos, impedem transações financeiras, restringem a entrada de integrantes nos Estados Unidos e determinam que instituições financeiras informem às autoridades qualquer movimentação suspeita relacionada às organizações.


Especialistas destacam que a decisão não altera automaticamente a legislação brasileira. Para produzir efeitos legais no Brasil, seria necessária a aprovação de leis específicas, a ratificação de tratados internacionais ou uma resolução obrigatória do Conselho de Segurança da ONU, cenários que não estão em discussão atualmente.


Com a inclusão das facções na lista americana, PCC e CV passam a integrar o grupo de mais de 90 organizações classificadas como terroristas estrangeiras, ao lado de grupos como Hamas, Hezbollah, Al Qaeda e Estado Islâmico, além de cartéis latino-americanos ligados ao narcotráfico.

Governo Trump endurece discurso contra facções brasileiras

Representantes do governo dos Estados Unidos afirmaram que a administração do presidente Donald Trump pretende utilizar todos os instrumentos disponíveis para combater organizações criminosas que representem riscos à segurança americana.


De acordo com autoridades do Departamento de Estado, investigações apontam presença ou influência das facções brasileiras em diversos estados norte-americanos. Os detalhes dessas operações, entretanto, não foram divulgados.


No Brasil, integrantes do governo federal avaliam que a decisão dificilmente será revertida. Apesar disso, a preocupação central está relacionada à possibilidade de os Estados Unidos ampliarem ações unilaterais sob a justificativa de combate ao terrorismo.


A agenda diplomática também pode ganhar novos capítulos nos próximos dias. A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do G7, marcada para ocorrer na França entre 15 e 17 de junho, abre espaço para uma eventual conversa bilateral com Donald Trump, embora nenhum encontro tenha sido oficialmente confirmado.

Maioria dos brasileiros apoia medida, aponta pesquisa

Levantamento realizado pelo instituto AtlasIntel revelou que 53,1% dos brasileiros aprovam a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Outros 44,7% manifestaram posição contrária.


A pesquisa também mostrou divisão quanto aos possíveis impactos sobre a soberania nacional. Enquanto parte dos entrevistados considera a medida necessária para fortalecer o combate ao crime organizado, outra parcela teme interferências externas em assuntos internos do país.


Em outro recorte, 55,9% dos participantes defenderam que o próprio governo brasileiro adote classificação semelhante para as facções.


Resultado semelhante apareceu em pesquisa realizada pelo PoderData. Segundo o levantamento, 53% dos entrevistados consideram a decisão positiva para o Brasil, enquanto 33% avaliam que ela pode trazer consequências negativas.

Especialistas divergem sobre o enquadramento como terrorismo

A decisão americana gerou diferentes interpretações entre profissionais da área de segurança pública, juristas e investigadores.


Uma corrente entende que a classificação pode ampliar mecanismos internacionais de rastreamento financeiro e dificultar o acesso das facções a recursos econômicos. Outra avalia que a medida pode complicar a cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas.


Há ainda um debate jurídico relevante. Pela legislação brasileira, o crime de terrorismo exige motivação ideológica, política, religiosa ou discriminatória. Como PCC e Comando Vermelho atuam prioritariamente com objetivos econômicos, parte dos especialistas entende que as organizações não se enquadram na definição prevista na Lei Antiterrorismo.


Mesmo apresentando características como domínio territorial, estruturas paralelas de poder e ações coordenadas, muitos juristas sustentam que o principal objetivo das facções continua sendo financeiro, fator que as diferencia dos grupos tradicionalmente classificados como terroristas.

Impactos econômicos preocupam setor financeiro

Além das questões de segurança, especialistas observam possíveis reflexos econômicos da decisão americana.


A principal preocupação está relacionada ao sistema financeiro. Como a legislação dos Estados Unidos possui regras rígidas para operações ligadas a organizações terroristas, bancos e empresas brasileiras com atuação internacional podem enfrentar exigências adicionais de controle e monitoramento.


Economistas alertam para o aumento da percepção de risco por parte de investidores estrangeiros, o que pode elevar custos de financiamento e dificultar determinadas operações internacionais.


Empresas que mantêm relações comerciais no exterior também devem reforçar procedimentos de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e identificação de beneficiários finais em transações financeiras.


Analistas destacam que o maior risco não está necessariamente em punições diretas, mas no impacto reputacional. Instituições estrangeiras podem adotar critérios mais rigorosos para manter relações comerciais com organizações brasileiras, especialmente em operações que envolvam o sistema financeiro dos Estados Unidos.

Debate segue aberto no Brasil

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos amplia a pressão internacional sobre o combate ao crime organizado e abre uma série de discussões sobre segurança, soberania nacional, cooperação internacional e estabilidade econômica.


Enquanto parte da sociedade vê a medida como uma ferramenta importante para enfraquecer financeiramente as facções, especialistas e autoridades seguem debatendo seus limites jurídicos e seus possíveis efeitos para o Brasil nos próximos anos.


Lucas Costa
Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

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