O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, confirmou que o governo irlandês adotou medidas para impedir a entrada no país de dois integrantes do governo de Israel: o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
A declaração foi feita durante a Cúpula União Europeia-Bálcãs Ocidentais, realizada na cidade de Tivat, em Montenegro.
Segundo Martin, as declarações e atitudes dos dois ministros israelenses representam uma postura que, em sua avaliação, demonstra o desejo de eliminar os palestinos de seu território. O líder irlandês afirmou ainda que a União Europeia deveria considerar a adoção de sanções mais amplas contra ambos.
"Esta é uma questão que precisa ser analisada pela comunidade internacional. A Irlanda pretende discutir o tema com outros países", declarou.
O primeiro-ministro acrescentou que, em sua visão, a conduta dos ministros justifica sanções em nível europeu, embora reconheça que ainda não está claro se haverá apoio suficiente entre os países-membros da União Europeia para a adoção dessas medidas.
Governo irlandês formaliza restrições de viagem
Em comunicado oficial, um porta-voz do ministro da Justiça, Jim O'Callaghan, informou que a proibição de entrada foi aprovada pelo governo irlandês nos últimos dias.
De acordo com a nota, agentes de imigração foram orientados a negar o acesso ao território irlandês caso Itamar Ben-Gvir ou Bezalel Smotrich tentem entrar no país.
O governo justificou a decisão afirmando que ambos tiveram papel relevante no agravamento da crise humanitária em Gaza.
Informações divulgadas pela imprensa local indicam que a medida foi acordada no início da semana e não precisou passar por votação formal do gabinete ministerial.
Pressão internacional cresce contra Ben-Gvir
A decisão da Irlanda ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre autoridades israelenses.
No mês passado, a França anunciou que havia proibido a entrada de Itamar Ben-Gvir após a divulgação de um vídeo em que o ministro aparecia zombando de ativistas detidos por militares israelenses durante uma missão humanitária marítima destinada à Faixa de Gaza.
Além disso, Espanha, França e Itália solicitaram à União Europeia a adoção de sanções contra Ben-Gvir.
Recentemente, Micheál Martin e a ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, também condenaram publicamente as imagens compartilhadas pelo ministro israelense.
França investiga possíveis crimes de guerra
Paralelamente, autoridades francesas abriram uma investigação para apurar denúncias relacionadas a possíveis crimes de guerra e atos de tortura envolvendo o tratamento dado por Israel a ativistas franceses que participaram da flotilha humanitária rumo a Gaza.
A investigação foi iniciada após pedido do governo francês e está sendo conduzida pelo Ministério Público Nacional Antiterrorismo da França (PNAT).
Os ativistas alegam que sofreram maus-tratos durante o período em que permaneceram detidos pelas autoridades israelenses no mês passado.
Irlanda evita interferir em partida de futebol contra Israel
Durante o mesmo evento, Micheál Martin também comentou a crescente pressão sobre a Federação Irlandesa de Futebol (FAI) para que a seleção da República da Irlanda boicote uma futura partida contra Israel.
O primeiro-ministro afirmou que a definição do calendário esportivo é responsabilidade exclusiva da FIFA e ressaltou que o governo irlandês não possui participação nesse processo.
Segundo ele, a maneira mais eficaz de ampliar a pressão internacional sobre Israel seria por meio de uma posição conjunta da União Europeia, acompanhada de esforços diplomáticos dos Estados Unidos.
Martin destacou que ações coordenadas entre os aliados ocidentais teriam maior impacto do que medidas isoladas adotadas por governos ou entidades esportivas.
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