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Morte de congolês em Dublin gera pressão por investigação

Uma vigília em homenagem a Yves Sakila foi realizada em Dublin na terça-feira. Foto: Brian Lawless / PA via Getty Images.


O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, pediu uma apuração completa sobre a morte do congolês Yves Sakila, ocorrida após ele ser imobilizado por seguranças em frente a uma loja de departamentos no centro de Dublin. O caso provocou forte repercussão no país e reacendeu debates sobre racismo, violência e uso excessivo da força.

Segundo a polícia irlandesa, conhecida como Garda, Sakila foi abordado na última sexta-feira na movimentada Henry Street, uma das principais áreas comerciais da capital irlandesa, após suspeita de furto em uma loja.

Durante a contenção, ele perdeu a consciência e morreu pouco tempo depois. As autoridades informaram que a investigação segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência.

Vídeo da abordagem aumenta indignação nas redes

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram Yves Sakila sendo imobilizado no chão por cerca de cinco minutos por cinco homens. Em determinados momentos, dois deles pressionam o rosto do congolês contra o piso. Um dos envolvidos também aparenta ajoelhar-se sobre a região da cabeça ou do pescoço da vítima durante alguns segundos.

Ao comentar o episódio no parlamento irlandês, Micheál Martin afirmou que o caso exige uma investigação rigorosa.

“A situação é profundamente preocupante e todas as circunstâncias precisam ser examinadas de forma minuciosa”, declarou o premiê.

A Garda também informou que um homem de 80 anos ficou ferido durante a confusão, após Sakila tentar deixar o local.

Comunidade negra relata medo e insegurança

A Rede Irlandesa Contra o Racismo demonstrou preocupação com a possibilidade de uso desproporcional da força durante a abordagem. Em nota, a entidade destacou que “a morte de um homem negro nessas circunstâncias é extremamente alarmante”.

Na quarta-feira, moradores e pedestres passaram pela Henry Street para prestar homenagens. Flores foram deixadas em frente à Arnotts, uma das lojas de departamentos mais tradicionais da Irlanda, onde Sakila foi detido.

A tradutora Sanaa Basit, que vive na Irlanda há dez anos após deixar o Sudão, contou que o vídeo do caso a abalou profundamente.

“Não conseguia dormir. Ficava revendo aquelas imagens repetidamente”, afirmou.

O irlandês Darren Collins, de 31 anos, também criticou o cenário de discriminação no país.

“Foi algo brutal. O racismo e a discriminação na Irlanda são muito maiores do que muita gente imagina”, disse.

Comunidade congolesa cobra respostas das autoridades

Laure Zoya, vice-presidente da organização Comunidade Congolesa na Irlanda, afirmou que muitos imigrantes africanos estão assustados após o episódio.

Segundo ela, integrantes da comunidade relatam sensação de insegurança e acreditam que o país mudou nos últimos anos.

“A Irlanda que eles conheceram há três décadas já não é mais a mesma”, declarou à emissora pública RTE.

Zoya também informou que Yves Sakila tinha cerca de 30 anos e vivia na Irlanda desde muito jovem.



Fonte: .nbcnews




Lucas Costa
Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

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